Quicabo - Angola

Quicabo - Angola
Foto de Vasco D'Orey, montagem de Garcia Ferreira

Encontro em Castro Daire

FOTO DE FAMILIA

FOTO DE FAMILIA

O MEU PELOTÃO


Era o meu pelotão o terceiro da C.Caç 3340, pertencente ao B.Caç 3838, que tinha como comandante o Alf. Mil.  Magalhães, secundado pelos furriéis Paim Vieira e Lourenço, sendo também composto por alguns cabos, como o Coelho e o Carvalhito (este mais tarde transitou para a messe de sargentos), e por vários soldados/praças, alguns, numa pequena percentagem, sendo originários de Angola.
 
Embora organicamente cada pelotão de combate (também se designando por grupo de combate),  devesse ser formado por um alferes, 3 furriéis,  3 a 4 cabos e o restante por praças, num efectivo total de cerca de 33 militares, o certo é que a generalidade das companhias de caçadores iam incompletas para os vários teatros de guerra. Só já no terreno de actuação é que eram complementadas com os efectivos em falta, normalmente incorporando tropas/praças, naturais do território.
 
Quanto aos sargentos, raras eram as companhias operacionais que, nos seus 4 pelotões, tinham mais que 2 furriéis por cada um, para já não falarmos das patentes superiores, nomeadamente a nível de sargentos, tenentes e majores do quadro, isto é, não milicianos, dado a escassez de militares, desse tipo, para preencherem os respectivos lugares orgânicos.

Mas voltando ao meu pelotão, também ele foi complementado com 8 praças, todas de raça negra, que também deram o seu melhor e o seu  prestimoso contributo para que, no final da nossa comissão, todos pudéssemos dizer "dever cumprido". É certo que, por vezes, esta tropa negra se revelava menos colaborante, nomeadamente quando, em acções estritamente militares, se recusavam a incendiar as palhotas, tabancas ou os aquartelamentos no mato, ou quando se procedia à destruição das lavras e culturas do IN.

Tal atitude já na altura era facilmente desculpável, por compreensível, dados os laços de sangue, e até de parentesco, que eventualmente poderiam ligar os contendores opositores entre si. Com provável certeza, cada um dos nossos soldados negros, agora e por força de circunstancialismos diversos, tinha um amigo, um parente, quiçá um familiar, que guerreava no mato, obrigado ou não, contra as nossas tropas.  Não obstante, eles estavam do mesmo lado da nossa barricada. Como poderíamos,  então, deixar de não ser sensíveis a este antagonismo vivido diariamente por cada um dos nossos soldados negros?!

De qualquer modo, foi no seio deste maravilhoso e dedicado grupo de combate que vivi dos mais gratificantes momentos da minha juventude. Numa altura em que se construíam os primeiros projectos de vida, o serviço militar obrigatório consistia, para qualquer jovem, num interregno forçado, numa barreira intransponível impossível de contornar, quando não num colapso total quando nos atingia o infortúnio da morte.

Para que conste, e em honra desses valorosos soldados do 3º pelotão da 3340, aqui se mencionam os seus nomes (os ainda não esquecidos, porque infelizmente o nome de alguns já o tempo conseguiu esquecer). De uns e de outros fica a grata memória das suas pessoas e a eterna gratidão por me acompanharem nesse dito interregno de nossas vidas: Alf. Mil. Magalhães, Quadrado, Ribeiro, Gonçalves, Coelho, Furriel Lourenço, Mónica, Carvalho, Carvalhito, Soares, Bernardo, Furriel Paim Vieira e os outros.

Lourenço, ex-furriel da 3340.

NAS LAVRAS DO QUIJOÃO

Naquele dia o despertar foi mais cedo, cerca das 4 horas da manhã. O cozinheiro preparara o pequeno-almoço para o 3º e 4º pelotão da Caç. 3340, à base de café com leite, pão e manteiga. Depois desta pequena refeição, as dos dois dias seguinte seriam rações-de-combate.
 
A refeição ligeira foi tomada em silêncio,  conjuntamente com todos os graduados, apenas se ouvindo o som característico do gerador a gasóleo que fornecia a electricidade a todo o aquartelamento,
 àquela hora ainda adormecido.

Ainda dentro do quartel, à beira do depósito da água, subimos para as viaturas que nos aguardavam, uma berliet e vários unimogs, tendo como destino mais uma "operação", desta vez para os lados do QUIJOÃO, uma zona de guerra considerada relativamente pacífica.   
 
Situava-se o nosso objectivo a algumas boas dezenas de quilómetros de Quicabo, já em plena floresta-galeria dos Dembos, por onde circulava, em sucessivos meandros, o rio Dange até chegar às Mabubas, local onde fora construída uma barragem eléctrica, indo depois desaguar no Atlântico, por alturas do Cacuaco.

Entretanto já abandonáramos as viaturas, que haviam regressado ao quartel, passando a calcorrear a picada, com todas as cautelas, rumo ao previsto objectivo, por entre capim alto e ainda viçoso, entremeado de árvores rasteiras e esparsas, até chegarmos à zona em que a savana deu lugar á floresta tropical.

Entrados na mata densa, em "bicha de pirilau" que se estendia por várias centenas de metros, logo perdemos o trilho por onde seguíamos, obrigando o homem, que seguia na frente, a abrir caminho á catanada, de forma a abrir passagem por entre o emaranhado de lianas e pequenas plantas que cresciam, a custo, debaixo daquele extenso e quase impenetrável dossel, formado pelas copas das árvores que almejavam alcançar a luz do sol.

Subíamos a custo uma ravina quando, de repente, toda a extensa coluna, qual baralho de cartas em dominó, se agachou apressadamente, começando pelo princípio até chegar até ao último homem da coluna. Sucedera que o guia,  um ex-guerrilheiro, que encimava a coluna, munido de uma pequena verdasca,  detectara um invisível "fio de tropeçar", atado a um pequeno arbusto, que continuava, perpendicularmente ao trilho, para o interior da mata.
 
Na altura ia integrado na coluna um alferes, que julgo chamar-se Fernandes, que estava a tirar o curso para capitão  (um curso acelerado para obtenção de comandantes de companhia), que se dispôs de imediato a apurar onde é que o fio-de-tropeçar ia dar,  se a uma mina anti-pessoal ou a uma armadilha para animais.
 
Cauteloso como se impunha, o dito alferes seguiu vários metros o fio até que, inopinadamente, se depara com um guerrilheiro encostado a uma árvore, ainda dormitando sossegadamente.  Tão inesperado encontro causou entre ambos um corrupio de calafrios, sendo o guerrilheiro de imediato dominado, com a advertência de que não poderia fazer qualquer barulho ou tentasse fugir, caso em que seria de imediato abatido.
 
O guerrilheiro, um jovem rondando os 18 anos,  desarmado, estava de vigia num posto avançado, sintoma de que o acampamento que procurávamos já não estaria longe, e, sobre a árvore frondosa em que se encostara e dormia, pendia um enorme latão que seria percutido, por meio de um engenhoso sistema de alavancas, logo que alguém tropeçasse no fio que atravessava o pequeno trilho.

Prosseguida a marcha, agora mais acelerada de forma a alcançarmos rapidamente o objectivo, cientes de que conseguíramos não ser detectados e que o "novo" guia, depois de uma rápida "lavagem ao cérebro", nos conduziria lá sem qualquer percalço,  alcançámos, em cerca de duas horas,  uma clareira na floresta, o nosso suposto objectivo.
 
Diante de nós, ainda acobertados pela mata,  estendia-se uma vasta clareira, que descia em declive até a um pequeno riacho, para logo continuar a subir na outra margem até à outra orla da floresta. Esta clareira, assemelhando-se a uma pequena ilha na imensidão do denso arvoredo, teria cerca de 500 metros de comprido, ao longo do regato, e cerca de 400 metros de largura, divididos entre as duas margens.
 
Na margem oposta do ribeiro trabalhavam umas mulheres nas lavras e, de quando em quando, viam-se dois ou três guerrilheiros armados que, aparentemente, vinham despreocupadamente buscar água ao ribeiro para logo retrocederem e se sumirem na orla da mata.

Foi então que foi decidido montar um golpe de mão aos guerrilheiros, para o que se formaram duas secções, uma de cada pelotão, que, ocultadas pela mata,  contornariam a clareira para aparecerem,  de surpresa, por detrás dos guerrilheiros e os apanharem à mão ou, caso estes tentassem fugir, fossem encaminhados para a boca do lobo ou seja que se introduzissem na mata onde se encontrava emboscada a restante tropa.

Na execução desta estratégia,  iniciou-se o previsto envolvimento contornando a orla da mata, após o que aparecemos de surpresa por detrás dos guerrilheiros, abrindo de imediato fogo para intimidação. Estes então correram na direcção do ribeiro e iniciaram a subida para a orla da mata, onde eram aguardados pela nossa tropa.
   
Após o enorme fogaçal que se seguiu, donde teriam necessariamente resultado algumas baixas ao IN, iniciámos então,  e a corpo aberto, a travessia da clareira em direcção às nossas tropas, cientes de que teria havido alguns capturados e mortos, embora se estranhasse aquele fogo nutrido, nomeadamente por o mesmo pôr em risco a vida dos camaradas que se encontravam no meio das lavras.

Qual não foi o nosso espanto ao sabermos que a tropa emboscada não dera um único tiro, pois todo aquele tiroteio provinha afinal de um numeroso grupo de guerrilheiros, o qual se havia também emboscado, mesmo ao lado da nossa tropa, com a intenção de capturar ou matar os militares agressores.

Em face deste inusitado desfecho bélico, de que felizmente não resultaram quaisquer baixas ou feridos, ficou-se sem saber se tal fora mera obra do acaso ou da sorte, ou se a presença da nossa tropa só foi denunciada após o inicio do tiroteio,  dando assim origem a que o IN se retirasse apressadamente.

O certo é que a presença da nossa tropa fora detectada na zona, assim se gorando o efeito surpresa, inviabilizando um maior sucesso operacional.

Lourenço, ex-furriel da 3340

AINDA AS SETE CURVAS...

Com referência ao texto da autoria do amigo ANICETO PIRES, vou tentar complementá-lo.

Efectivamente no dia anterior, ao cair da tarde e quando já se anunciava a noite, logo após a ceia, tomada na messe dos sargentos, viemos, um grupo de amigos, para a respectiva esplanada:  um dos furriéis que com o seu pelotão, oriundo do Caxito, reforçava a CAÇ.3340, eu  próprio e mais dois furriéis.
Enquanto o furriel do Caxito, de quem não recordo o nome, pegava na sua viola e dedilhava algumas canções, nós outros bebericávamos uns whiskies e íamos deixando passar o tempo, absortos nas melodias que íamos ouvindo.
O dito furriel do Caxito, quando se fartou da viola e da nossa pouca atenção, entrou nas nossas conversas que, resumidamente, versavam sobre os 24 meses que estavam prestes a findar, ao invés dos seus poucos meses ainda de mato. Nós éramos uns sortudos, porque no dia seguinte completávamos a nossa comissão em Quicabo, enquanto ele e o seu pelotão ainda lá continuariam a batê-las.
Já noite bem entrada, despedimo-nos com um sorriso de gozo nos lábios, lembrando ao ainda maçarico que também chegaria o dia, para ele, do final da sua comissão. Mal sabíamos nós que aquela noite também seria, para ele, a sua última noite.
Chegado novo dia, cada pelotão regressou às suas tarefas diárias, sendo que ao pelotão do Caxito, chefiado pelo comparsa do dia anterior, foi incumbido de ir escoltar uma coluna da JAEA.
Tratando-se do último dia dos "velhinhos", o Feijão, pediu para ir integrar o pelotão do Caxito, substituindo o respectivo "transmissões", pois não queria regressar ao "puto" sem pegar numa arma e não ter saído do "arame". E lá foi ele, todo garboso, integrado num pelotão de combate.
 No regresso a Quicabo, na zona das SETE CURVAS, o nosso amigo Feijão e toda a tropa sofreu uma forte e mortífera emboscada.  Do primeiro unimog morreu logo o respectivo furriel, o amigo da noite anterior, que ficou sentado ao lado do condutor, dois soldados de negros,  não aparecendo o condutor, que era o Damas, não se sabendo do seu paradeiro. Os restantes mortos aconteceram no segundo unimog, que vinha a meio da coluna, não chegando a entrar na zona de morte o terceiro unimog. A força do combate teve o seu epicentro na zona onde seguia o unimog do transmissões Feijão, onde este e o seu colega enfermeiro travaram duro duelo com os atacantes, até chegarem reforços que os pôs em fuga.   É de notar que o dito pelotão, sendo formado por tropas oriundas de Angola (negros), à excepção do seu comandante (furriel), dos condutores, do enfermeiro e do transmissões, pouca ou nenhuma resistência terão oferecido.
De imediato foi pedida a intervenção da força aérea que disponibilizou 4 helicópteros,  sendo um héli-canhão.  Foi nestes helicópteros que duas secções de combate,  chefiadas pelos furriéis Rico e Lourenço,  do 1º e 3º pelotão da 3340, iniciaram então uma perigosa caça ao homem, nomeadamente procurando interceptar o grupo inimigo e, eventualmente, resgatar o condutor DAMAS.
Do ar, apenas vislumbrámos, durante dois dias, algumas fogueiras no meio da floresta, tabancas e lavras, mas do inimigo nem vivalma. Ficámos pois sem saber o que teria acontecido ao DAMAS, se era vivo ou morto. Só mais tarde, já depois do 25 de Abril, soubemos que havia sido capturado (o único), que ouviu perfeitamente os helicópteros que andavam à sua procura e que, em cerca de três dias, terá chegado ao Congo, em marcha forçada, tendo sido posteriormente libertado na troca de prisioneiros.
Assim terminou a nossa comissão, em Quicabo, de uma forma algo inesperada, deixando-nos a todos com uma profunda tristeza em vez da habitual incontida alegria, velando os mortos na capela de Quicabo e deixando ainda mais receosos, do seu futuro, aqueles que nos vieram render.

Lourenço/furriel da C.Caç. 3340

SETE CURVAS - 14MAR1973

O texto que se segue é da autoria do Companheiro Aniceto Pires, condutor auto-rodas, e recorda um dos dias mais negativos da nossa campanha em Angola, que o diga o Companheiro Lobo da Silva que ainda hoje traz dentro de si o estigma deste dia.

Garcia Ferreira
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Hoje vou esperar que chegue a meia-noite e esperar por mais um dia que me traga a memória…

Vou esperar, olhando as horas tranquilamente, que acabe de percorrer mais um ciclo do tempo solar.

Antes de entrar…
Mergulhei-me através da memória que o tempo faz questão de me fazer debruçar no parapeito da saudade, e dele acenda, para iluminar os que para trás ficaram, trazendo-os de volta para nos reunir, só possível na nossa imaginação.
Ainda é dia treze, silenciosamente vai chegar o dia catorze, uma data que ainda perpetua na minha memória.
Estávamos em pleno mês de Março, já lá vão uns tantos anos, o dia treze também tido como dia da “sorte” ou mesmo dia do “azar” não quis nada connosco.
Os dias são todos recheados, de sorte e de azar, de surpresas ou imprevistos bons e maus, quando alguém está protegido pela sorte, outros certamente estarão protegidos pelo azar, ou desprotegidos pela sorte.

Entrei…
Catorze de Março de 1973, era o meu último dia operacional em teatro com cenário de guerra. Para quem o duvidava, aconteceu. A maior parte de nós iria fazer ainda os vinte e três anos de idade. Ainda éramos crianças.
Ao inicio da manhã daquele dia, juntamente com um grupo de combate, partimos de Quicabo para mais uma missão igual a tantas outras. É certo, sabíamos que saímos sem nunca ter a garantia da chegada, uma espécie de passaporte em branco.
A missão foi mais uma escolta de equipamentos e pessoas, para mais um dia trabalho, pertencente à JAEA (junta autónoma de estradas de Angola) até Balacende, percurso que nos levava a passar pelas famosas sete curvas.
Ao fazermos a inversão de marcha para regressar a Quicabo, recebemos ordem para fazermos uma escolta (não estava nos planos) à Beira Baixa, uma fazenda que ficava entre Balacende e Nambuangongo.
Lembro de termos contestado esta alteração de rumo, pois queríamos regressar o mais rápido possível, já estávamos cansados dos camuflados e de tanto sacrifício. Quando chegamos ao acampamento improvisado da JAEA, na Beira Baixa, logo tivemos a informação através do “transmissões”, que havia acontecido uma emboscada e já tínhamos baixas.
Precisamente nas sete curvas.
Estávamos a meio da manhã quando voltamos a Balacende e aqui podemos já sentir a mistura da revolta e consternação, para alguns (incluindo eu), era a nossa última missão.
Maldita as sete curvas, onde tanta gente jovem ali ficou.
Lá saímos de Balacende, meios silenciados, para voltar a passar na fatídica sete curvas, onde foram abatidos quatro elementos nossos e o Damas capturado, e logo no último dia de missão em cenário de guerra.
Ainda lembro os companheiros que estavam no Destacamento de Quicabo, viviam momentos de angústia, por não saberem quem teria “ficado”, apenas tinha havido conhecimento que havia baixas, mas não sabiam quem eram.
Quando cheguei… ouvi, “ o Pires não foi”.
Fazia-me lembrar quando se fazia a chamada e quem não respondesse já estaria morto.
Foi chocante ver aquelas viaturas com rombos provocados pelos rocketes e mais ainda ao dar pela falta do nosso COMPANHEIRO DAMAS.
Poderia ter sido eu!
O dia treze não tem nada a ver com o dia catorze, assim como os que são protegidos pela sorte inevitavelmente um dia serão protegidos pelo azar, se é que existe um e o outro.
Forçosamente terão que existir ambos, por serem da mesma família.
Eu, o Aniceto du Pires

A 14 de Março de 2010

DESAFIO...

Caros Camaradas...
Quero lançar um desafio a todos vós, abaixo deste texto vou postar algumas fotos que a todos recordam alguma coisa, o que pretendo é que cada um escreva um pequeno texto relacionado com alguma das fotos (certamente que todos ou quase todos nós guardamos algumas histórias destas paragens), façam um esforço e deixem a vossa memória recordar o que viveu.

QUICABO - TORREÃO (Foto de Vasco D'Órey -  Tempo antes de grande trovoada)

MARIA FERNANDA (Foto de Vasco D'Órey - Pé de café)

ALGURES ENTRE MARIA FERNANDA E BALACENDE
(Foto Vasco D'Órey - Lama na picada)

ALGURES ENTRE MARIA FERNANDA E BALACENDE
(Foto Vasco D'Órey - MVL)

BALACENDE (Foto Vasco D'Órey - Ecran de cinema)) 

FAZENDA DO MARGARIDO (Foto Vasco D'Órey)

FAZENDA TENTATIVA (Foto Vasco D'Órey - Cana de açúcar)

Espero que este meu desafio seja aceite por todos os Camaradas da CCS, CCAÇ.3340, CCAÇ.3341 e CCAÇ.3342, por isso fico a aguardar, com alguma ansiedade, as vossas missivas que poderão ser enviadas para magarciaferreira@clix.pt .
Quero apenas frisar que as fotos são apenas exemplos de momentos vividos por vós naqueles lugares ou situações.

Um abraço
Garcia Ferreira

EXEMPLO...

Companheiros,
As imagens publicadas depois deste texto, são o exemplo daquilo que pode e deve ser a vossa colaboração neste (vosso) blogue.
Foram enviadas pelo nosso amigo Correia a quem desde já agradeço com um abraço de muita saudade e referem-se aos momentos áureos da Rádio Quicabo..
Para além da imagem das instalações, podemos ainda ver o ex-Furriel Correia, o ex-Furriel Machado e ainda o ex-Furriel Paim Vieira, têm como pormenor curioso, para além de outros como as capas de alguns discos, o inseparável copo que foi grande companheiro do Paim.





Imagens com História (fotos Vasco D'Órey)



















Companheiros

Resolvi mudar o visual do nosso blogue e assim torna-lo um pouco mais atraente, espero sinceramente que esteja do vosso agrado.
Gostava de contar mais com a vossa colaboração, quer em termos de informação de interesse para todos nós quer em recordações longínquas no tempo e na distância aqui contadas na primeira pessoa... TU.
Tenho algum material (fotográfico) para publicar e gostava de o ligar aos vossos textos, deixem a preguiça de parte e escrevam, já somos crescidos para termos vergonha.
Fico à espera da vossa colaboração.
Um abraço
Garcia Ferreira

Fotos de Mota Vieira

Quicabo - Formatura
Quicabo - Jogo de Futebol
 Quicabo - Revista às Tropas
 Quicabo - Capela
 Sem comentários
Desbravando a Picada
Quicabo - Reparem bem na concentração do "safa-te p... !!!"

Quicabo - Mota Vieira e "Jack Smit" Tonel 

“Muito mais é o que nos une do que aquilo que nos separa”

Camaradas, Amigos, Companheiros…

Como diz a canção do Rui Veloso “muito mais é o que nos une do que aquilo que nos separa”, vem isto a propósito do encontro que anualmente fazemos em nome do B.CAÇ.3838 e que este ano mais uma vez vamos realizar no dia 10 de Abril próximo.

Acontece que nem todos marcamos presença por esta ou aquela razão mais ou menos justificada por cada um de nós. Por isso venho apelar a todos mas mesmo a todos que esqueçam as quezílias normais de dois anos vividos intensamente num espaço curto e duro, esqueçam o militarismo de uns e o autoritarismo de outros, esqueçam as diferenças que nos marcavam, os momentos desagradáveis que passamos são sobretudo fruto da nossa pouca vivência, recarreguem as baterias da amizade que forçosamente fizeram com quem conviveram, partilhem com todos as experiências que passaram.

Estamos quase a atingir a bonita idade de 37 anos desde que regressámos de Angola, todos ou quase todos (alguns infelizmente deixaram-nos bem cedo) constituímos família, tivemos filhos e netos, construímos um futuro… mas o passado está e estará presente e queiramos ou não vocês fazem parte do meu e eu do vosso.

Por tudo o que acabo de escrever e mais o que cada um queira ler nas entrelinhas, apelo mais uma vez a todos os Companheiros do B.Caç.3838 (CCS, 3340,3341,3342) que marquem uma presença massiva no encontro deste ano.

BEM-HAJAM

Garcia Ferreira

Ex-Fur.Milº TRMS 3340

Amigo Forte

"Sou efectivamente o ex. 1º cabo de transmissões de nome Abel Forte.

Já agora quem havia de esquecer o ex. furriel Magalhães? era um excelente rapaz, embora os defensores dos direitos dos animais não gostarão muito das façanhas que ele cometeu, e estão nas suas razões, mas caramba ele era um jovem precisava das sete vidas de cada gato, para chegar até pelo menos á idade actual, e... quem na vida não cometeu erros? Erros, depende da prespectiva de cada um. Faço lembrar ainda que o Magalhães o tal mata-gatos (não o outro em que as crianças fazem a aprendizagem nas novas tecnologias) era um equilibrista, quem não se lembra de o ver a dormir em cima das arvores?

Para todos os ex.camaradas/companheiros um abraço, para o Garcia Ferreira que tenha esperança que mais ex. apareçam por aqui nestas paginas, com bengalas,(não é o meu caso ainda)... e sem estas, com próteses, com cabelo, sem cabelo, com barriga que se (foxtrote) é a vida, mas com o coração cheio de esperança na vida.
"Forte"

Caro amigo Forte,
Quero agradecer-te em meu nome e de todos os Camaradas as tuas palavras. Eu tenho fé que muitos outros sigam o teu exemplo e que escrevam algumas linhas para o nosso Blogue, não tenham medo que o computador não morde e como tu dizes quase todos terão lá em casa o "Magalhães" dos netos, peçam-lhes que vos ensinem a usar a Internet (risos).
Fico esperando os vossos textos.
Um grande abraço
Garcia Ferreira
Camaradas,
Hoje é um pouco o dia das surpresas!... Acabo de ver no nosso blogue o comentário (abaixo) do Companheiro Forte, que penso seja o 1º Cabo de Transmissões da CCAC3340, que tanto quanto me lembro nunca apareceu nos nossos encontros.
Obrigado amigo pelo teu aparecimento aqui no nosso blogue, mas esperamos ver-te, mesmo de bengala, no nosso encontro anual, para mim e certamente para todos os Camaradas de armas vai concerteza ser uma grande alegria poder dar-te um abraço forte.
Um grande abraço
Garcia Ferreira

...Há queixas que os camaradas nunca aparecem a dizer nada aqui nas paginas do nosso "livro" histórico, nada mais natural, a vontade de alguns é muita mas entendamos que nem todos mexem ainda nesta "coisa" tecnologica, lá vai aperecendo um ou outro a coisa irá com calma e tempo, mesmo aquando de bengala ainda se vai ter muitos camaradas cá no nosso "livro".
Forte...

Camaradas,

Por certo lembram-se do grande "guerrilheiro" Magalhães (Vago Mestre da CCAÇ 3340), quantos vezes nos nossos encontros temos falado dele?... pois foi com um misto de surpresa e alegria que hoje ao abrir o meu correio electrónico, deparo com a mensagem que a seguir transcrevo no nosso blogue.

Amigo Magalhães (terror dos gatos de Quicabo), em nome de toda a familia BCAC3838 saúdo o teu regresso ao nosso seio, esperamos por ti no nosso próximo encontro anual.

Um grande abraço

Garcia Ferreira

"Boa noite, Garcia Ferreira!

Quase 37 anos volvidos, reencontro uma ligação aos meus camaradas do BCaç 3838, graças à dedicação de alguns que trabalham para reunir esta família.

Tendo passado à disponibilidade em Angola, surpreendido pela guerra entre movimentos regressei à minha terra natal, de mãos a abanar, em meados de 1975.

Subjugado pela actividade profissional, há muito tempo vinha insistindo comigo para tirar a cabeça da areia e pesquisar contactos do nosso batalhão; lamento fazê-lo só agora, pois perdi ocasiões de convívio que me teriam dado mais alento para a vida.

Tenho participado em encontros locais de ex-combatentes, mas anseio pelo próximo convívio do nosso batalhão para abraçar nos presentes toda a família que, em Quicabo, Balacende e Maria Fernanda, comigo viveu, durante dois anos, momentos perenemente gravados na nossa memória.

Um grande abraço para todos!

J.Fernando D.Magalhães

F.M.Alim. 08310070-CCaç 3340/BCaç 3838"


XICO NEVES

Amigo Neves,
Obrigado pela tua visita e pelo texto generoso.
Para os Camaradas menos acostumados com estas coisas da cibernautica, aqui ficam os passos necessários para ler o texto do Xico Neves:

Vão até á postagem onde está colocado o slide show do nosso convívio deste ano.
Imediatamente abaixo aparece uma frase que contem: Comentário 1.
Cliquem com o rato nesta frase e abrir-se-á uma caixa com o texto do Xico Neves.


Não deixem de ler atentamente o que o nosso Camarada nos diz, pois pode ser interessante para muitos.
Para os mais entendidos as minhas desculpas por esta explicação.

Um abraço para todos e em especial para o Xico Neves.

Garcia Ferreira

Mota Vieira

Começo a sentir que o blogue do B.Caç. 3838 mexe com todos, é com grande satisfação que publico o correio electrónico recebido do nosso Camarada Mota Vieira a quem desde já peço que me envie algumas fotos, pois sei que o seu acervo fotográfico não é de menor ineteresse do que o do Vasco D'Orey.

Garcia Ferreira

...Felicito vivamente o Furriel Oliveira pelo inexcedível empenho em reunir anualmente em convívio todos os elementos do Batalhão 3838, procurando-nos nos mais recônditos lugares, sem nunca esmorecer.
Idênticas felicitações ao Furriel Garcia Ferreira que em inspirada hora organizou o Blog do nosso Batalhão que está excelente. Quem faria melhor? Creio que a falta de comentários de que se queixa nada tem a ver com o seu trabalho mas talvez com a nossa "iliteracia" em lidar com as novas tecnologias... Por exemplo, tornei-me internauta há um ano, data em que me reformei e o relógio começou a andar muito mais devagar... Talvez, também, alguma timidez que a todos nós afecta e que a idade refinou.
Vasco d!Orey merece uma palavra de amizade por disponibilizar o seu importante acervo fotográfico. O nosso agradecimento.
Ao nosso Comandante, o sempre jovem Coronel Columbano Monteiro que nos acompanha em todos os convívios a nossa estima e apreço.
Endereço saudações fraternas e saudosas a todos os camaradas com votos saúde, bem-estar e longa vida, até sempre,
Manuel Mota Vieira.(3340)...

17ABR71 - 38 Anos...


Camaradas,

Faz hoje 38 anos que a maioria de nós se apinhou na popa, na proa e na amurada do Vera Cruz para um último adeus aos que em terra choravam a nossa partida para terras desconhecidas.

Aqui e nesta data que agora celebramos começou a nossa aventura em terras de Angola.

Um forte abraço para todos e em especial para o "Aniceto du Pires" por me ter recordado esta data.



Um forte abraço para todos.

Garcia Ferreira


Recado...

Camaradas,
Congratulo-me com as visitas que têm vindo a fazer ao nosso blogue, mas simultâneamente não posso deixar de lamentar a vossa falta de colaboração.
Gostava de vos dizer que em cada publicação colocada no blogue (em jeito de rodapé), aparece uma palavra "comentário" que serve precisamente para deixarem a vossa opinião sobre aquele assunto, é com mágoa que até hoje nenhum de vocês o tenha feito, nem para dizer mal ou que alguma coisa está errada, acreditem que é como pregar no deserto.
Mais uma vez venho solicitar a vossa colaboração e para quem não estiver tão familiarizado com estas coisas da internet aqui vos deixo a minha morada:

Manuel Justino Garcia Ferreira
Rua Camilo Castelo Branco, 44 r/c dtº
Vale de Milhaços
2855-419 Corroios

para que me possam enviar as vossas fotos e histórias dos momentos que vivemos em terra de angola.
Este apelo não se dirige apenas aos camaradas que estiveram em Quicabo, também os camaradas de Balancende e Maria Fernanda devem ter histórias e fotos interessantes desconhecidas de todos nós.
Garcia Ferreira

Notícias ou a falta delas por vezes levam-nos ao desespero...


E agora vocês perguntarão: O que é que a imagem tem a ver com o titulo desta postagem?... bem, o cenário é Quicabo e na verdade a falta de notícias de familiares e amigos levou este nosso Camarada (que eu não vou dizer quem é para não o melindrar!!!) ao desespero e a tentar um acto tresloucado (risos). Valeram-lhe as orações da sua amiga, os conselhos do Camarada Delfim, assim como a presença incrédula do Furriel Mota Vieira (na á paleio) para que tudo terminasse em bem e na maior das normalidades.

História e foto de Vasco D'Orey

Páscoa Feliz



O BLOGUE do Batalhão de Caçadores 3838, deseja a todos os Camaradas e suas respectivas familias, uma Páscoa Feliz, com muitas amêndoas, folares e sobretudo saúde no ano em que todos ou quase todos já são ou estão prestes a ser sexagenários.

FOTOS DO CONVIVIO ANUAL - TORREIRA 2009

Encontro anual (2009)



04 Abril de 09

O dia começou cedo para aqueles que de longe tinham de rumar até à Torreira, mais concretamente á Estalagem Riabela onde esperavam encontrar os Camaradas de uma vida, sim de uma vida, neste dia exacto completámos 36 anos de regresso a Portugal, após 2 intensos anos em terras de Angola.

Também eu me levantei cedo e depois de me encontrar com o Lourenço e o Lobo da Silva (este acompanhado do seu colega Luís) tomámos a estrada para o encontro que todos os anos o Oliveira se empenha em concretizar.

Cerca das 11 horas da manhã já cumprimentávamos e abraçávamos os velhos camaradas daqueles dois longos anos, onde a amizade forjada por eles se prolongou até aos dias de hoje.

Foi rever o Vasco, Virgílio, Oliveira, Pedro, Sousa Martins, Grilo, Estrela, Pires, Pinho, Tavares, Oliveira, Soares, Rigor, Mónica, Antunes, Caldas, Patusco, Ferreira, Abel, Gautama, Coelho, Xavier, Castro, Remédios, Temporão, Batista, Azevedo, Bacalhau, Vale, Bárrios, Lobo e tantos, tantos outros que me é impossível aqui nomear todos (marcaram presença cerca de 80 a 90 camaradas) e por isso desde já apresento as minhas desculpas a todos os que aqui não mencionei e que sem eles este encontro não faria qualquer sentido.

Tomados os aperitivos e após a chegada do nosso Comandante Columbano Líbano Monteiro, dirigimo-nos para a sala do almoço onde nos esperava um repasto bem confeccionado e apetitoso (parabéns ao Virgílio).

Antes de iniciarmos a refeição foi pedido um minuto de silêncio (vivido com emoção por muitos dos presentes) pelos CAMARADAS que já deixaram de pertencer ao número dos vivos mas que continuam presentes na nossa memória.

Depois, bem depois veio o almoço, a verdadeira confraternização entre os presentes, recordando momentos vividos longinquamente e lamentando a ausência de alguns outros Camaradas que com eles viveram esses momentos, distribuíram-se fotos de encontros passados e até os álbuns de fotos antigas circularam de mão em mão.

Já na fase final, e como sempre, o nosso Comandante usou da palavra para mais uma vez enaltecer a realização destes encontros e emocionado agradecer o carinho e atenção que todos lhe dispensam, fazendo questão de sublinhar o mérito militar que lhe foi reconhecido e que muito se deveu ao desempenho no Comando do Batalhão de Caçadores 3838, ao que se seguiu o corte do habitual bolo de aniversário do Batalhão.

Uma palavra de apreço para o Silva que mais uma vez nos brindou com um dos seus “brilhantes” discursos.

Por último e para nos agradecer, a Ria de Aveiro brindou-nos com um espectáculo deslumbrante de voos ousados de algumas centenas de belos flamingos (diria eu que foi para colmatar a falta da Força Aérea sediada ali perto na Base S. Jacinto).

Garcia Ferreira

O Pó da Picada

Angola 1971/1973
O Pó da Picada


Aniceto pires
Quicabo

Estávamos em Janeiro de 1973, foi um dia de Sábado, já a meio da tarde, após a chegada de mais uma escolta á coluna de reabastecimento, (M.V.L.) cuja missão era a Fazenda Maria Fernanda, onde estava destacada a Companhia Operacional 3342.
Saímos no dia anterior a meio da manhã, seguindo o trajecto - Caxito, Quicabo, Sete Curvas, Balacende, Palacaças, Ponte do Rio Lifune, Fazenda Margarido e Fazenda Maria Fernanda, onde chegámos a meio da tarde.
Era um trajecto, muito sinuoso, agressivo, zonas de vegetação muito densa, risco elevado, a atenção era permanente.
Na época das chuvas, o mesmo trajecto chegava a levar 3 ou 4 dias, os veículos enterravam-se na picada por se tornarem zonas pantanosas, tinha-mos de permanentemente encontrar soluções arriscadas para o desbloqueio das mesmas, era uma missão muito ingrata, tal como se observa nas imagens seguintes:





Capitão Matias

Aqui vos deixo a ultima comunicação recebida via correio eléctrónico do Capitão Matias.

"Bravos Companheiros de antanho:

Por longos anos ausente do vosso convívio (por meras razões de acaso e destino que me afastaram do solo luso) eis-me aqui, na tentativa de me associar à vossa, digo, nossa confraternização anual. Bem sei que é uma simples tentativa eletrónica, já que me é impossível estar fisicamente presente na Torreira, mas a intenção é poderosa...
Dos tempos de há trinta e muitos anos atrás, entendo que devem perdurar e ser lembrados com carinho dois tipos de eventos:
1 - os bons momentos de convivência coletiva então vivenciados;
2 - os factos que mais nos tocaram, deixando marcas indeléveis em cada um de nós.
No meu caso, me perdoem advogar em causa própria, mas lembro com humildade o esforço e determinação de minha mulher Maria Emília que, apesar dos riscos envolvidos, decidiu me acompanhar em boa parte dessa jornada militar, dando-me a energia e a coragem necessárias para superar os traumas de então. Aqui fica o registro de minha gratidão e reconhecimento à Companheira que co-divide meus êxitos e fracassos , o que julgo por inteiro merecido.
Lembro, também com muito carinho, diversas vivências preciosas de valores morais e corajosamente humanos que tive o privilégio de compartilhar com muitos de vocês; a memória dos acontecimentos ficou, embora os nomes dos protagonistas se tenha esvaído na poeira do esquecimento...
Nesta magna reunião de bons Amigos, queremos, eu e a Maria Emília, expressar nossos sinceros agradecimentos a todos com quem convivemos e muito aprendemos, a todos os que, de algum modo, contribuiram para consolidar nossas experiências de vida e conhecimentos. De certa forma, cada um de vocês faz parte da obra de construção individual de cada Ser humano com quem interagiu e nós dois nos integramos nesse grupo privilegiado. Nesse sentido, é um pedaço de cada um de vocês que nos compõem e enriquecem hoje, naquilo que Somos.
Então, Bem Hajam todos vocês, tanto os que estão presentes nessa festividade como os que não estão, não importa por que razões. Também é nosso dever recordar os saudosos Companheiros ou familiares que já se foram, na continuidade de suas Existências Eternas...
Para eles, que descansem em Paz e que Deus os guarde em Seus Desígnios Imprescrutáveis...
E a todos com quem partilhámos dois anos de nossas vidas, um saudoso abraço de muita Amizade e nossa forte Intenção de que Tudo de Bom continue a acontecer em vossas vidas. Que o DEUS Imperecível, Imortal e Eterno nos cubra com Suas Bençãos. A ELE rendemos todo nosso Reconhecimento e Devoção, por simplesmente Existirmos.
Felicidades para todos vocês e.... até de repente.
Fernando Matias e Maria Emília
Curitiba / Paraná / Brasil
Obs: Sintam-se à vontade para me contactar, sempre e quando quiserem:
via e-mail: mematias@terra.com.br
via fone: 55 41 3524 2066 (fixo) e 55 41 9668 7212 (móvel)
via correio: rua maestro Romualdo Suriani, 157
81520-050 CURITIBA / PARANÁ / BRASIL"

Companheiro Jaime Rico

Obrigado ao "Alferes" Pereira por ter tido a gentileza de procurar, contactar e enviar o paradeiro do amigo Rico por quem eu procurava.
Como quase todos nós o Rico é hoje reformado de um Banco, vive em Lisboa e completou ontem (18Fev2009) 60 anos de idade, vive em Lisboa e está bem, só não estará connosco no almoço anual porque estará ausente nessa data em Israel.
Um abraço
Garcia Ferreira

Saudade


Saudade...

Saudade do Companheiro Roberto, saudade da sua irreverência, companheirismo e atitude.

Estejas onde estiveres sabes que a amizade que sempre tivemos continuará guardada em mim.


Saudade do amigo que já não vejo á muito.

Que é feito de ti Jaime Martins Rico?.

Amigo dá sinais de vida e se alguém souber o seu contacto eu gostaria que mo enviasse.



Aproveito para enviar um forte abraço a todos os companheiros do B. Caç. 3838.



Garcia Ferreira

Amigo Patusco...



Andava eu entretido a petiscar aqui e ali, beberricando uns copitos para provar o bom vinho nas Tasquinhas de Santarém (Festival de Gastronomia de 2008), quando de repente deparei com um grande alarido de concertinas tocando as modas do Minho e qual não é o meu espanto quando no meio do povo deparo com o amigo Patusco batendo castanholas (quase parecia uma sevilhana), penso que naquela altura ele já tinha feito mais provas do que eu.

Depois dos abraços habituais e enquanto eu me preparava para me safar da confusão, o amigo Patusco por lá ficou com os companheiros da música, tocando e cantando em todos os pavilhões da dita exposição e o que não será dificil de adivinhar lá foi bebendo mais uns copitos para aquecer o regresso a Viana do Castelo.

Garcia Ferreira

MENSAGEM DO CAPITÃO MATIAS

O texto abaixo foi retirado de uma mensagem que o Capitão Matias enviou ao nosso camarada Aniceto Pires...

"Caros Companheiros:
ao cuidado de Aniceto Pires

Dirijo-me a todos, por seu intermédio, para o e-mail que descobri agora na Internet.

Eis que ressurjo das cinzas, qual fénix moderno, para dizer que ainda sou vivo. Sei que vou parecer um fantasma, atrasado no Tempo, pelo menos é assim que me sinto neste momento, quando já atingi a casa dos 70, passados que são 3,5 décadas...

Que dizer aos velhos Companheiros de 35 anos atrás? É difícil explicar tanto descompasso meu, mas a Vida nos conduz por caminhos surpreendentes e imprevisíveis. Acontece que só à entrada do século XXI tive pleno acesso à Internet e, antes, jamais me ocorreu consultar algum site relacionado ao BCAÇ 3838. Inevitavelmente, isso acabou por acontecer, exatamente ontem. Limpando velha gaveta do antigamente, dei com o estandarte glorioso de nosso Batalhão, puído pelo pó dos anos, carcomido de traça, mas ainda incólume, Excelente e Valoroso, incrustado em seu mastro metálico, meio ferrugento. E aí surgiu a idéia peregrina de consultar o computador. E não é que deu certo?

Dado o lapso de tempo percorrido, vale dizer a vocês todos o que ocorreu comigo nestes 35 anos. Sem querer ser enfadonho, ou impôr minha presença, faço a seguir breve sinopse desse período, para mero conhecimento:

1971 - Começo da saga. Aí vamos nós, no saudoso Vera Cruz, em 17/04, comandados pelo Ten Cor Columbano Líbano Monteiro e o sempre jocoso major Mexia Leitão, personagens que, de quando em vez, recordo com muito carinho e saudade.

1972 - Face à minha expressa inabilidade para as artes guerreiras de uma CCAÇ, a 3340, o comando da RMA decide transferir-me para a CCS do Batalhão. De certa forma, foi um atestado de incompetência a toda a prova, de que hoje ainda sinto um certo desconforto. Mas enfim, tudo pode acontecer na vida do cidadão: afinal eu não era militar de carreira, apenas um miliciano...Até aqui, todos sabem.

1973 - De volta ao solo pátrio da metrópole, somos desmobilizados e eu volto ao emprego anterior. Mas diversos acontecimentos militares que antecederam o célebre 25 de abril (que prefiro não comentar) me levam a uma insegurança e até desilusão e acabo estudando proposta de trabalho no Brasil.

1976 - Concretiza-se a proposta de trabalho e eis-me de abalada para o Rio de Janeiro com toda a família.

1977 - Não sei bem como, mas acabo por receber uma proposta do próprio Governo Português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para permanecer em terras brasileiras e assumir o cargo de vice-cônsul da República Portuguesa para os Estados do Paraná e Santa Catarina, na cidade de Curitiba, o que acabo por aceitar.

1995 - Lisboa reconsidera meu retrospecto e me aposenta. Encurtando, hoje vivo aqui em Curitiba, com toda a família.

Espero que não tenha incomodado o amigo, nem os demais, com minha história, mas penso que devo esta atitude de me localizar, embora tardia.

Segue minha identificação, para relembrar vossa memória:

Fernando Manuel de Jesus Matias
Número mecanográfico: 31100659
CCAÇ 3340 e CCS do BCAÇ 3838 (comandante de Companhia)

e-mail:
mematias@terra.com.br <mailto:mematias@terra.com.br>
ou:
mematias20@gmail.com <mailto:mematias20@gmail.com>

Aguardo notícias vossas, quando puderem, sobre o que ocorreu com vocês, nestes 35 anos de ausência.

Abraços a todos, quer se recordem ou não de mim

Até de repente

Fernando Matias"

Recordo 1…


Recordo...

A longa noite em que viajámos de Santa Margarida para Lisboa – Cais da Rocha.

As centenas de pais, mães, mulheres, filhos, namoradas, familiares e amigos que no cais acenavam um último (infelizmente para alguns foi mesmo o ultimo) adeus, enquanto o Vera Cruz se afastava.

Os dias passados a bordo que de algum modo serviram para cimentar amizades, delinear estratégias, formar equipas, viver a adversidade em conjunto num clima calmo.

A chegada a Luanda (o monstro estava diante de nós naquela baia lindíssima), a viagem para o Grafanil naquele comboio horroroso atravessando musseques da periferia de Luanda.

O dia D: distribuídas as armas, forma-se a coluna militar (curiosamente em camionetas civis) que nos levaria para a mata, para a guerrilha, para todos os nossos “medos”, para Quicabo, Balacende e Maria Fernanda, eram os “maçaricos” do B. Caç. 3838 em marcha.

A longa caminhada para Quicabo, a passagem pelo Cacuaco, Tentativa, Caxito, Mabubas… ai Mabubas… a partir daqui o coração apertou, os medos bailaram nos nossos olhos e mesmo até aqueles que como um certo Alferes que para ser forte dizia que nem queria uma arma mas á cintura levava 5 ou 6 granadas, não deixaram de sentir um arrepio frio. Enfim Quicabo estava á frente dos nossos olhos e perante a tristeza de uns estava a alegria de outros.

O conhecer daquele lugar onde deixaria 2 anos da minha vida, faria muitos amigos, viveria momentos de muita saudade e outros que não deixariam saudade alguma…

Garcia Ferreira