Com a saudade instalada nos nossos corações, partimos a 17Abr1971, Cais da Rocha, no N/T "Vera Cruz" com rumo a Luanda - Angola . Dois anos volvidos regressámos, enriquecidos pela vivência intensa, mais fortes e ao mesmo tempo mais frágeis. Hoje passados 35 anos desde o nosso regresso vamos cimentando as amizades que conquistámos nessas terras tão longíquas. Bem-Haja toda a familia do B.CAÇ. 3838.
Camaradas, Amigos, Companheiros…
Como diz a canção do Rui Veloso “muito mais é o que nos une do que aquilo que nos separa”, vem isto a propósito do encontro que anualmente fazemos em nome do B.CAÇ.3838 e que este ano mais uma vez vamos realizar no dia 10 de Abril próximo.
Acontece que nem todos marcamos presença por esta ou aquela razão mais ou menos justificada por cada um de nós. Por isso venho apelar a todos mas mesmo a todos que esqueçam as quezílias normais de dois anos vividos intensamente num espaço curto e duro, esqueçam o militarismo de uns e o autoritarismo de outros, esqueçam as diferenças que nos marcavam, os momentos desagradáveis que passamos são sobretudo fruto da nossa pouca vivência, recarreguem as baterias da amizade que forçosamente fizeram com quem conviveram, partilhem com todos as experiências que passaram.
Estamos quase a atingir a bonita idade de 37 anos desde que regressámos de Angola, todos ou quase todos (alguns infelizmente deixaram-nos bem cedo) constituímos família, tivemos filhos e netos, construímos um futuro… mas o passado está e estará presente e queiramos ou não vocês fazem parte do meu e eu do vosso.
Por tudo o que acabo de escrever e mais o que cada um queira ler nas entrelinhas, apelo mais uma vez a todos os Companheiros do B.Caç.3838 (CCS, 3340,3341,3342) que marquem uma presença massiva no encontro deste ano.
BEM-HAJAM
Garcia Ferreira
Ex-Fur.Milº TRMS 3340
Camaradas,
Por certo lembram-se do grande "guerrilheiro" Magalhães (Vago Mestre da CCAÇ 3340), quantos vezes nos nossos encontros temos falado dele?... pois foi com um misto de surpresa e alegria que hoje ao abrir o meu correio electrónico, deparo com a mensagem que a seguir transcrevo no nosso blogue.
Amigo Magalhães (terror dos gatos de Quicabo), em nome de toda a familia BCAC3838 saúdo o teu regresso ao nosso seio, esperamos por ti no nosso próximo encontro anual.
Um grande abraço
Garcia Ferreira
"Boa noite, Garcia Ferreira!
Quase 37 anos volvidos, reencontro uma ligação aos meus camaradas do BCaç 3838, graças à dedicação de alguns que trabalham para reunir esta família.
Tendo passado à disponibilidade em Angola, surpreendido pela guerra entre movimentos regressei à minha terra natal, de mãos a abanar, em meados de 1975.
Subjugado pela actividade profissional, há muito tempo vinha insistindo comigo para tirar a cabeça da areia e pesquisar contactos do nosso batalhão; lamento fazê-lo só agora, pois perdi ocasiões de convívio que me teriam dado mais alento para a vida.
Tenho participado em encontros locais de ex-combatentes, mas anseio pelo próximo convívio do nosso batalhão para abraçar nos presentes toda a família que, em Quicabo, Balacende e Maria Fernanda, comigo viveu, durante dois anos, momentos perenemente gravados na nossa memória.
Um grande abraço para todos!
J.Fernando D.Magalhães
F.M.Alim. 08310070-CCaç 3340/BCaç 3838"


Aniceto pires
Quicabo
Estávamos em Janeiro de 1973, foi um dia de Sábado, já a meio da tarde, após a chegada de mais uma escolta á coluna de reabastecimento, (M.V.L.) cuja missão era a Fazenda Maria Fernanda, onde estava destacada a Companhia Operacional 3342.
Saímos no dia anterior a meio da manhã, seguindo o trajecto - Caxito, Quicabo, Sete Curvas, Balacende, Palacaças, Ponte do Rio Lifune, Fazenda Margarido e Fazenda Maria Fernanda, onde chegámos a meio da tarde.
Era um trajecto, muito sinuoso, agressivo, zonas de vegetação muito densa, risco elevado, a atenção era permanente.
Na época das chuvas, o mesmo trajecto chegava a levar 3 ou 4 dias, os veículos enterravam-se na picada por se tornarem zonas pantanosas, tinha-mos de permanentemente encontrar soluções arriscadas para o desbloqueio das mesmas, era uma missão muito ingrata, tal como se observa nas imagens seguintes:


Andava eu entretido a petiscar aqui e ali, beberricando uns copitos para provar o bom vinho nas Tasquinhas de Santarém (Festival de Gastronomia de 2008), quando de repente deparei com um grande alarido de concertinas tocando as modas do Minho e qual não é o meu espanto quando no meio do povo deparo com o amigo Patusco batendo castanholas (quase parecia uma sevilhana), penso que naquela altura ele já tinha feito mais provas do que eu.
Depois dos abraços habituais e enquanto eu me preparava para me safar da confusão, o amigo Patusco por lá ficou com os companheiros da música, tocando e cantando em todos os pavilhões da dita exposição e o que não será dificil de adivinhar lá foi bebendo mais uns copitos para aquecer o regresso a Viana do Castelo.
Garcia Ferreira
