Quicabo - Angola

Quicabo - Angola
Foto de Vasco D'Orey, montagem de Garcia Ferreira

Encontro em Castro Daire

FOTO DE FAMILIA

FOTO DE FAMILIA

MEMÓRIAS

Trouxe comigo a memória daquele céu, do cheiro a terra húmida e dos bandos de pássaros que esvoaçavam nas manhãs frescas e nubladas pelo cacimbo.
Recordo a beleza daquele pôr-do-sôl, o ribombar dos trovões no tempo das chuvas após os fins de tarde de calor tórrido e intenso, o feérico e esplendoroso alvorecer…
 Jamais se apagará da minha memória o som dos batuques, das silhuetas dos imbondeiros, lembrar-me-ei para sempre do cheiro da  papaia madura e guardarei no meu coração a terna lembrança da Fazenda “ Margarido” e da “Maria Fernanda”, palco de tantas e tantas escaramuças que nos aguçaram o jeito  de verdadeiros guerrilheiros, lá bem nas entranhas da floresta dos “ DEMBOS “.
Os rios Lifune e o Dange abraçarem o célebre morro dos Palacaças quando no tempo das chuvas engrossavam as suas margens.



 Aos meus companheiros do B. Caç.3838.

Quase 40 anos volvidos e sinto cada vez mais intensamente a nostalgia da nossa permanência em Angola.
Seria mais lógico que no decurso do tempo tornasse mais esbatidas as imagens e as recordações das vivências que nos animavam  e dos contactos que ficaram bem gravados em cada um de nós. Mas não! De vez em quando dou comigo a sentir as imagens a desfilar na minha lembrança, como um filme que nunca mais termina…
… No irradiar das operações na “ Missão” que se sucederam, pairava sempre a interrogação: Será a vez derradeira?



Furriel Bárrios

Caro camarada Manuel Pacheco

Acabo de ler o mail que me enviou e que com a sua autorização publicarei de imediato.
Confesso que embora seja da mesma arma que o meu amigo, possivelmente até fui seu instrutor em Caçadores 5, não me recordo de si, já agora e a talho de foice sou a dizer que tenho imensas saudades do meu amigo Alves, seu furriel de transmissões e quem nunca mais vi desde que regressámos de Angola, se por acaso souber alguma coisa dele agradeço-lhe que me informe.
Quanto ao que diz no seu mail, que eu não contesto de modo algum, quero apenas dizer-lhe que o que me move em relação aos nossos encontros é apenas o convívio das amizades que criámos naquelas terras longiquas, com o apadrinhamento do isolamento que mais ou menos todos vivemos.
Pois quero com isto dizer-lhe que os discursos mais ou menos inflamados que alguns camaradas proclamam, não me dizem nada e só os ouço se quiser, o que verdadeiramente me interessa é o convívio e a amizade dos presentes que muitas vezes passam o tempo a falar dos "ausentes".
Chegado aqui, apraz-me dizer-lhe que os ditos "ausentes" são na maioria das vezes os camaradas de outras companhias, como por ex. a 3341 e é nesse sentido que no blogue tenho apelado a vossa presença.
Amigo Manuel Pacheco, resta-me apenas acrescentar que este blogue está também ao serviço da CCAÇ. 3341 quer apareçam ou não no convívio do Batalhão e se me convidarem para os vossos convívios terei muito gosto em comparecer.
Grande abraço
Garcia Ferreira

Garcia Ferreira:
O meu nome é capaz de lhe dizer algo pois ambos pertencemos ao Batalhão 3838. Pertencia á Companhia 3341 e era Rádio Telefonista. Vem isto a propósito, não me recordo do senhor, da sua insistência em que os elementos que fizeram parte da Companhia 3341 se juntem nas celebrações anuais do Batalhão.
Fui dos primeiros a aderir a este evento na década de setenta, julgo que 74, 75 no Porto, próximo do Cavalaria 6, onde compareceram alguns elementos. Quem foi o iniciador deste invento foi o ex – Furriel Oliveira, nessa altura era funcionário da PT, não sei se já tinha esta denominação, como tinha facilidades fazia os contactos. Continuei a ir a esses convívios nos vários pontos do País e fazíamos o nosso ponto de encontro à beira do mercado Bom Sucesso e dali partíamos ou viaturas próprias ou em autocarros. Como vê era um seguidor antigo. Com isto não quero dizer que a antiguidade tenha mais regalias, mas deve ser tratado como tal.
Acontece que em vários convívios, da 3341 não éramos muitos, mas éramos dos bons. Sempre prontos para o que desse e viesse, isto no bom termo da palavra, porque não embarcava em nacionalismos, em discursos fanáticos como acontecia com um ex – Soldado, referente à minha Companhia.
Como quem não se sente não é filho de boa gente, e eu julgo ser, deixei de ali comparecer e resolvemos fazer os nossos convívios. O figurino foi quase igual. O ex – Soldado, Alves, meu colega de Companhia e Especialidade desempenhava funções de polícia nas transmissões daquela corporação e avançou com a ideia de uma concentração que se deu na Buraca em Lisboa.
Em boa hora o fez. Aqui éramos todos camaradas, tirando as rivalidades das Especialidades que cada um tinha, essas rivalidades são salutares para o bom desempenho das missões para cada um dar o seu melhor. Como dizia em boa hora o fez porque matávamos saudades da nossa vivência durante vinte e três meses que estivemos isolados. Aqui o A era igual ao B e assim sucessivamente. Nenhum vinha com discursos inflamados e se o fizesse era logo calado pela maioria. Não era o caso dos convívios do Batalhão. Não havia ninguém a dizer a essa pessoa que estávamos ali com a finalidade de unir e não desunir. Não era a nós, poucos, elementos da 3341 a mandá-lo calar.
Julgo que tudo isto acontecia porque éramos órfãos de Comandante de Companhia. O nosso novo Comandante de Companhia era um Alferes e aqui sentíamos que não tinha peso para tomar posição acerca desse “orador”. Aliás o ex - Alferes Soares tudo fez para nós nos reunirmos no convívio do Batalhão e acabarmos com o nosso. Não levou a sua avante, deixou de comparecer, mas nós democraticamente optamos pelo nosso convívio anual e tem sido um sucesso.
Por tudo isto relato-lhe o meu ponto de vista, julgo ser o de todos que compõem a Companhia 3341. Pode pôr este texto no blogue do Batalhão que eu autorizo. Por um lado serve para não caírem em erros iguais aos que foram cometidos com a minha Companhia.
Quem meus filhos beija minha boca adoça.
Envio cumprimentos a todos elementos, muito em especial, ao ex – Furriel Oliveira.
Manuel Maria Ferreira Pacheco, ex – Soldado Rádio Telefonista nº. 112814/70.




Ga

CORREIO

Recebi:

Do camarada António Torres:

"Caro Garcia Ferreira

Fiquei contente por ver que há um blogue sobre o B. Cac.3838.
Embora fazendo parte desse batalhão, a minha companhia, a 3341, tinha poucos contactos com  as outras .
De qualquer modo congratulo-o pelo seu trabalho, e aproveito para enviar uma saudação a todos os camaradas do nosso batalhão. Às famílias dos já falecidos envio as minhas condolências."

Cumprimentos,
António Machado [torres.antonio.m@gmail.com]

Aproveito mais uma vez para pedir aos Camaradas da CCaç. 3341 que se juntem á família do Batalhão de Caçadores 3838, como disse anteriormente (é muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa).

Aqui deixo um grande abraço para todos os Camaradas da CCaç.3341.
Garcia Ferreira


Do camarada José Acácio Fernandes:

"Parabéns pelo trabalho publicado,relativo ao nosso Bat. e ao Convívio da Couvelha, pois foi um dia magnifico.

Creio que existe uma gralha numa das publicações cujo título é (SETE CURVAS)
Alguém diz que o Feijão acompanhava um Pelotão da Companhia do Caxito, mas na realidade o  Pelotão que sofreu a emboscada nas Sete Curvas no dia 14ABR73 era um Pelotão do Reg.de Inf.20 (Luanda) cujos motoristas e o TRMS-Feijão pertenciam à CCS e 3340, sendo o Furriel e os Cabos e Soldados atiradores todos do recrutamento de Angola."


"Há poucos dias encontrei o JOSÉ MARIA GONÇALVES PEREIRA, de Ermidas Sado - Santiago do Cacém, que também era condutor da CCS. Diz que nunca foi aos nossos encontros mas que espera poder estar presente para o próximo.
Um abraço e até breve."

José Acácio Fernandes [joseacaciofernandes@gmail.com]
 
Um grande abraço para o Acácio Fernandes,
Garcia Ferreira


BÁRRIOS (Furriel da CCAÇ. 3242) LANÇA DESAFIO

Olá, amigo Ferreira.


Lembrei-me desta brincadeira para iniciar os contactos. Cada vez que visito o blogue da família -3838, é por demais emocionante a amálgama de sentimentos que sinto. Tem que se começar a falar da 3342.(Maria Fernanda e Margarido). O que por lá  aconteceu? Obviamente que ninguém melhor dos que os passaram por lá para  enviar relatos. E tanto haveria para contar... Onde está essa gente boa???

Quem vai reconhecer o Furriel Bárrios da 3342? Lanço aqui um desafio.

E atenção! O código de conduta é para  ser cumprido...

 Um xi coração do

 Artur Bárrios.


Nota: Para vizualizares a foto em tamanho real (ampliação com leitura do texto) clica com o "rato" em cima da mesma. Espero que aceitem o desafio do Camarada Bárrios.

REGRESSO (CHOQUE)

Caros Camaradas e amigos,
Com a apresentação das minhas desculpas por esta longa ausência, especialmente ao Bárrios e ao Pires, estou de volta ao trabalho e ao nosso blogue.
O título desta postagem é correcto, choque e não chique, as imagens que se seguem a estas linhas justificam o referido título.
Agradeço ao Pires o seu envio.






Os agradecimentos ao Aniceto du Pires e ao seu irmão que nos proporcionou estas imagens.
Até breve...
Garcia Ferrreira



HISTÓRIA DO NOSSO BATALHÃO - Pagina 5

COMPOSIÇÃO, MOBILIZAÇÃO

E DESLOCAMENTO

PARA ANGOLA

O Batalhão de Caçadores Nº. 3838, constituído pela CCS, CCAÇ. 3340, CCAÇ. 3341 e CCAÇ. 3342, teve como Unidade Organizadora, o Regimento de Infantaria Nº 2, aquartelado em Abrantes.
O Batalhão, com elementos de todo o país, com forte percentagem de pessoal da Região a Norte do Rio Douro, concentrou-se e organizou-se no CIM (SANTA MARGARIDA), onde teve lugar também a EPQ/IAO, no período de 01 a 13MAR71.
A IAO, teve lugar na região W do aquartelamento do CIM, desde 15MAR71 a 03ABR71.
Em 161600ABR71, dentro de um parque do RC4, procedeu-se à Cerimónia da Benção e Entrega do Guião, recebido pelo Comandante, das mãos do Excelentíssimo 2º Comandante da 3ª Divisão.
Na noite de 16/17ABR71 o Batalhão embarcou na estação da CCFP de SANTA MARGARIDA, com destino à GARE MARÍTIMA DA ROCHA DE CONDE DE ÓBIDOS, onde chegou cerca das 07H00.
Após a chegada a Lisboa o pessoal tomou a 1ª refeição fornecida pela Manutenção Militar, findo o que foram concedidas cerca de 3 horas para despedidas dos familiares que se encontravam na GARE MARÍTIMA.
Cerca das 11H00, efectuou-se a formatura geral do contingente a embarcar, ao qual foi passada revista pelo Excelentíssimo Brigadeiro ALBERTINO CORREIA MARIANO, em representação de Sua Ex.ª o Ministro do Exército, que proferiu seguidamente a alocução de despedida.
Depois da alocução de despedida a que respondeu o Comandante das Forças, Major de Inf.ª Alberto das Neves Curado, as Unidades desfilaram, dirigindo-se para bordo, do N/T «VERA CRUZ», que saiu às 12H25.
O Batalhão desembarcou em Luanda, no dia 26ABR71, tendo seguido por via férrea para o Campo Militar do Grafanil. Cerca das 15H00, as Unidades desembarcadas, formaram na parada, no Campo Militar do Grafanil, onde desfilaram perante o Excelentíssimo Comandante da Região Militar de Angola, GENERAL ERNESTO MACHADO DE OLIVEIRA E SOUSA.

_________________

O Comandante do Batalhão e o Oficial adjunto embarcaram para a RMA em 22ABR71 num avião da FAP, desembarcando no Aeroporto Craveiro Lopes, em Luanda, no dia 24ABR71.

HISTÓRIA DO NOSSO BATALHÃO - Pagina 3 e 4

                
                                                                                  MISSÃO CUMPRIDA

Puz todo o interesse na «História do meu Batalhão».
Felizmente a ideia concretizou-se e aí a temos na mão de cada militar do B. CAÇ. 3838. Estou certo que cada um a apreciará e, mais ainda, quando volvidos anos a folhear recordando factos e imagens, que nos legaram estes dois anos de comissão em Angola. Foi um período intensamente vivido, em que nos apoiámos uns nos outros, para levarmos por diante e a bom termo, a missão que nos confiaram. Todos nos rejubilamos e não menos o vosso Comandante, por a nossa união ter sido autêntica, e bem a demonstrámos nos esforços e sacrifícios que nos foram exigidos e muitos foram, mas que sempre suplantámos, irmanados no supremo ideal de servir, cumprir o dever e valorizar o nosso Batalhão.
Passámos juntos, horas, dias, meses de trabalho, momentos de ansiedade, situações preocupantes, alegrias de êxitos e poupou-nos Deus os duros revezes. Mas não deixámos de ser atingidos, com a perda de 3 camaradas, 1 oficial e dois soldados, que ficam no nosso pensamento com a eterna saudade e que aqui recordo muito comovidamente.
Chegámos ao fim e vamos partir.

Para trás, ficou  a presença de mais um punhado de
Portugueses que  em ANGOLA  tudo fez  para ser
útil ao próximo,  cumprir o dever e honrar Portugal.
Com  humanidade  e  sentido  cristão,  procurámos
trilhar o  caminho e  com o  coração  transbordante
de alegria verificámos a amizade sincera, a gratidão
naqueles que dantes nossos  inimigos, conseguimos
arrancar à  situação  miserável  das  matas  e trazer
para uma vida digna e humana.

Ides  regressar  às   vossas   famílias,   aos   vossos
amigos,  às  vossas  terras  com a grande satisfação
de terdes  cumprido  o  vosso  serviço  militar, mas,
para além disto, de o terdes feito com honra.

Vamos   deixar   esta   Angola   grandiosa  de  que
certamente,  como  eu,  vos  orgulhais  e que sentis agora mais vossa, por a terdes ajudado a construir com o vosso esforço e  o  vosso  sacrifício. Aqui ficam pedaços da nossa vida.
Também eu, como vós, vou regressar de consciência tranquila, por ter procurado cumprir generosamente, mas, ainda mais, com a grata recordação e a subida honra de ter comandado homens como vós.

                                                                                             O COMANDANTE
                                                                          (Tenente-Coronel: Columbano Libano Monteiro)




HISTÓRIA DO NOSSO BATALHÃO

Camaradas,
É meu propósito dar a conhecer a todos a "HISTÓRIA DO NOSSO BATALHÃO", pequeno livro compilado pelo nosso Comandante Columbano Monteiro que nos tem acompanhado ao longo de todos estes anos.
Este pequeno livro que resume a nossa actividade (desde a formação do Batalhão, a passagem por terras de Angola e o regresso a Portugal), foi distribuído em tempo oportuno por todos os elementos do Batalhão.
A minha vontade de o publicar neste nossa página, tem a ver com a possibilidade do mesmo não ter chegado a todos ou mesmo que o tenham recebido já não o possuam
Assim, começo hoje por publicar o poema que se encontra inscrito na aba da capa:

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O lar deixo saudoso à partida.
Triste início a vida militar,
Esforço faço para não chorar,
Assim chego a Santa Margarida.

Esquerdo direito! Sem nunca parar,
Começa o trabalho, a instrução,
Sinto que me pára o coração,
Estou pronto para embarcar.

No mastro a Bandeira querida,
Amparo de alma ferida,
Lembrando-me a Terra Natal,

Em Angola receoso me afoito,
Somos os Batalhão 3838
Presente a alma de Portugal.

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Aqui fica o meu comprometimento a com alguma regularidade publicar as páginas desta pequena GRANDE história do nosso Batalhão.

Garcia Ferreira

VISIBILIDADE DO NOSSO BLOGUE

Camaradas,
Como o mapa de visitas nos informa o nosso blogue tem sido visto com alguma assiduidade, para além de Portugal, em países como o Brasil, EUA e Canadá, por certo que serão alguns Camaradas que emigraram que se vão actualizando com as noticias sobre a nossa grande família.
Quer sejam Camaradas que nos visitam, familiares ou amigos, gostaríamos de ter algum contacto com os mesmos, por isso peço-vos que nos escrevam para o mail magarciaferreira@clix.pt e nos transmitam as vossas opiniões sobre o nosso blogue.
Ficamos a aguardar as vossas opiniões sobre a utilidade desta página.
Muito obrigado,
Garcia Ferreira

17 ABRIL 1971

Hoje, 17 de Abril de 2010, comemoramos 39 anos do dia em que partimos para Angola.
Para todos os Camaradas que neste dia viveram emoções difíceis de resumir em meia dúzia de palavras, quero deixar um abraço bem forte de solidariedade e amizade.
Garcia Ferreira

COUVELHA - A Vida... para além de Angola

Camaradas,


Começo esta crónica a dar os PARABÉNS ao Soares Ferreira pela forma como nos recebeu na sua terra, excelente almoço (por certo concordarão comigo que foi dos melhores que já saboreámos nestes nossos encontros), servido com muita qualidade e profissionalismo.
Fiquei extremamente sensibilizado com um aspecto que de certeza passou despercebido a muitos de vós, o tradicional bolo (diga-se desde já de excelente qualidade) alusivo ao Batalhão, estava decorado com o tipo e logótipo que abre esta página, agradeço a quem teve esta iniciativa (por certo o Soares Ferreira), que me tocou particularmente.



Pois é Companheiros, o dia D chegou bonito, com muito sol, para animar mais um encontro anual dos Camaradas do Batalhão de Caçadores 3838. A romaria em direcção a COUVELHA começou bem cedo, de todos os cantos de Portugal foram chegando os Companheiros e amigos para mitigar as saudades da longa ausência de um ano passado.
Para os Companheiros da Companhia de Caçadores 3340 este foi um encontro bonito, revimos dois Camaradas que nunca tinham comparecido a estes encontros, falo do RICO e do MAGALHÃES, obrigado pela vossa reentrada nesta grande família.






Abraçados os presentes, lamentadas as ausências, seguimos para a Igreja de Couvelha onde o nosso padre ZÉ celebrou a tradicional missa.





Durante o almoço sempre bem regado com o espumante “bruto” da região, embora para aqueles que iriam conduzir se aconselhasse moderação no seu consumo, foram vividas as habituais manifestações de alegria por estarmos de novo reunidos, recordamos vivências passadas, comentamos episódios bons e menos bons e até fizemos algumas confidências.



O Oliveira foi-nos passando a mensagem de que o ex-alferes Pereira gostaria que o próximo encontro se realiza-se na sua terra, CASTRO D’AIRE, ficamos a aguardar a confirmação desta informação assim como os seus pormenores.

Seguidamente tomou a palavra o nosso camarada Silva que mais uma vez nos brindou com os seus dotes oratórios e que dirigiu algumas palavras sobre os Camaradas que já não se encontram neste mundo mas que continuam connosco para sempre, foram comoventes os versos dedicados ao saudoso Camarada Virgílio que desde sempre esteve nestes nossos encontros, realizando grande parte deles e que foi um dos motivadores para que o Soares Ferreira se encarregasse do encontro deste ano, que descanse em paz junto de todos os Companheiros que já nos deixaram.

Por fim usou da palavra o nosso Comandante que como sempre realçou o prazer de estar presente, embora como o próprio afirmou já com algumas dificuldades, mas que espera estar no nosso seio em muitos mais. Obrigado pela sua presença, carinho e amizade, pode acreditar que todos lhe retribuímos em dobro.



Feita a vindima, lavados os cestos e o lagar, regressámos a casa satisfeitos pelo encontro vivido.

Grande abraço para todos os que disseram sim e também para aqueles que por um motivo qualquer não estiveram presentes.

Garcia Ferreira


O MEU PELOTÃO


Era o meu pelotão o terceiro da C.Caç 3340, pertencente ao B.Caç 3838, que tinha como comandante o Alf. Mil.  Magalhães, secundado pelos furriéis Paim Vieira e Lourenço, sendo também composto por alguns cabos, como o Coelho e o Carvalhito (este mais tarde transitou para a messe de sargentos), e por vários soldados/praças, alguns, numa pequena percentagem, sendo originários de Angola.
 
Embora organicamente cada pelotão de combate (também se designando por grupo de combate),  devesse ser formado por um alferes, 3 furriéis,  3 a 4 cabos e o restante por praças, num efectivo total de cerca de 33 militares, o certo é que a generalidade das companhias de caçadores iam incompletas para os vários teatros de guerra. Só já no terreno de actuação é que eram complementadas com os efectivos em falta, normalmente incorporando tropas/praças, naturais do território.
 
Quanto aos sargentos, raras eram as companhias operacionais que, nos seus 4 pelotões, tinham mais que 2 furriéis por cada um, para já não falarmos das patentes superiores, nomeadamente a nível de sargentos, tenentes e majores do quadro, isto é, não milicianos, dado a escassez de militares, desse tipo, para preencherem os respectivos lugares orgânicos.

Mas voltando ao meu pelotão, também ele foi complementado com 8 praças, todas de raça negra, que também deram o seu melhor e o seu  prestimoso contributo para que, no final da nossa comissão, todos pudéssemos dizer "dever cumprido". É certo que, por vezes, esta tropa negra se revelava menos colaborante, nomeadamente quando, em acções estritamente militares, se recusavam a incendiar as palhotas, tabancas ou os aquartelamentos no mato, ou quando se procedia à destruição das lavras e culturas do IN.

Tal atitude já na altura era facilmente desculpável, por compreensível, dados os laços de sangue, e até de parentesco, que eventualmente poderiam ligar os contendores opositores entre si. Com provável certeza, cada um dos nossos soldados negros, agora e por força de circunstancialismos diversos, tinha um amigo, um parente, quiçá um familiar, que guerreava no mato, obrigado ou não, contra as nossas tropas.  Não obstante, eles estavam do mesmo lado da nossa barricada. Como poderíamos,  então, deixar de não ser sensíveis a este antagonismo vivido diariamente por cada um dos nossos soldados negros?!

De qualquer modo, foi no seio deste maravilhoso e dedicado grupo de combate que vivi dos mais gratificantes momentos da minha juventude. Numa altura em que se construíam os primeiros projectos de vida, o serviço militar obrigatório consistia, para qualquer jovem, num interregno forçado, numa barreira intransponível impossível de contornar, quando não num colapso total quando nos atingia o infortúnio da morte.

Para que conste, e em honra desses valorosos soldados do 3º pelotão da 3340, aqui se mencionam os seus nomes (os ainda não esquecidos, porque infelizmente o nome de alguns já o tempo conseguiu esquecer). De uns e de outros fica a grata memória das suas pessoas e a eterna gratidão por me acompanharem nesse dito interregno de nossas vidas: Alf. Mil. Magalhães, Quadrado, Ribeiro, Gonçalves, Coelho, Furriel Lourenço, Mónica, Carvalho, Carvalhito, Soares, Bernardo, Furriel Paim Vieira e os outros.

Lourenço, ex-furriel da 3340.

NAS LAVRAS DO QUIJOÃO

Naquele dia o despertar foi mais cedo, cerca das 4 horas da manhã. O cozinheiro preparara o pequeno-almoço para o 3º e 4º pelotão da Caç. 3340, à base de café com leite, pão e manteiga. Depois desta pequena refeição, as dos dois dias seguinte seriam rações-de-combate.
 
A refeição ligeira foi tomada em silêncio,  conjuntamente com todos os graduados, apenas se ouvindo o som característico do gerador a gasóleo que fornecia a electricidade a todo o aquartelamento,
 àquela hora ainda adormecido.

Ainda dentro do quartel, à beira do depósito da água, subimos para as viaturas que nos aguardavam, uma berliet e vários unimogs, tendo como destino mais uma "operação", desta vez para os lados do QUIJOÃO, uma zona de guerra considerada relativamente pacífica.   
 
Situava-se o nosso objectivo a algumas boas dezenas de quilómetros de Quicabo, já em plena floresta-galeria dos Dembos, por onde circulava, em sucessivos meandros, o rio Dange até chegar às Mabubas, local onde fora construída uma barragem eléctrica, indo depois desaguar no Atlântico, por alturas do Cacuaco.

Entretanto já abandonáramos as viaturas, que haviam regressado ao quartel, passando a calcorrear a picada, com todas as cautelas, rumo ao previsto objectivo, por entre capim alto e ainda viçoso, entremeado de árvores rasteiras e esparsas, até chegarmos à zona em que a savana deu lugar á floresta tropical.

Entrados na mata densa, em "bicha de pirilau" que se estendia por várias centenas de metros, logo perdemos o trilho por onde seguíamos, obrigando o homem, que seguia na frente, a abrir caminho á catanada, de forma a abrir passagem por entre o emaranhado de lianas e pequenas plantas que cresciam, a custo, debaixo daquele extenso e quase impenetrável dossel, formado pelas copas das árvores que almejavam alcançar a luz do sol.

Subíamos a custo uma ravina quando, de repente, toda a extensa coluna, qual baralho de cartas em dominó, se agachou apressadamente, começando pelo princípio até chegar até ao último homem da coluna. Sucedera que o guia,  um ex-guerrilheiro, que encimava a coluna, munido de uma pequena verdasca,  detectara um invisível "fio de tropeçar", atado a um pequeno arbusto, que continuava, perpendicularmente ao trilho, para o interior da mata.
 
Na altura ia integrado na coluna um alferes, que julgo chamar-se Fernandes, que estava a tirar o curso para capitão  (um curso acelerado para obtenção de comandantes de companhia), que se dispôs de imediato a apurar onde é que o fio-de-tropeçar ia dar,  se a uma mina anti-pessoal ou a uma armadilha para animais.
 
Cauteloso como se impunha, o dito alferes seguiu vários metros o fio até que, inopinadamente, se depara com um guerrilheiro encostado a uma árvore, ainda dormitando sossegadamente.  Tão inesperado encontro causou entre ambos um corrupio de calafrios, sendo o guerrilheiro de imediato dominado, com a advertência de que não poderia fazer qualquer barulho ou tentasse fugir, caso em que seria de imediato abatido.
 
O guerrilheiro, um jovem rondando os 18 anos,  desarmado, estava de vigia num posto avançado, sintoma de que o acampamento que procurávamos já não estaria longe, e, sobre a árvore frondosa em que se encostara e dormia, pendia um enorme latão que seria percutido, por meio de um engenhoso sistema de alavancas, logo que alguém tropeçasse no fio que atravessava o pequeno trilho.

Prosseguida a marcha, agora mais acelerada de forma a alcançarmos rapidamente o objectivo, cientes de que conseguíramos não ser detectados e que o "novo" guia, depois de uma rápida "lavagem ao cérebro", nos conduziria lá sem qualquer percalço,  alcançámos, em cerca de duas horas,  uma clareira na floresta, o nosso suposto objectivo.
 
Diante de nós, ainda acobertados pela mata,  estendia-se uma vasta clareira, que descia em declive até a um pequeno riacho, para logo continuar a subir na outra margem até à outra orla da floresta. Esta clareira, assemelhando-se a uma pequena ilha na imensidão do denso arvoredo, teria cerca de 500 metros de comprido, ao longo do regato, e cerca de 400 metros de largura, divididos entre as duas margens.
 
Na margem oposta do ribeiro trabalhavam umas mulheres nas lavras e, de quando em quando, viam-se dois ou três guerrilheiros armados que, aparentemente, vinham despreocupadamente buscar água ao ribeiro para logo retrocederem e se sumirem na orla da mata.

Foi então que foi decidido montar um golpe de mão aos guerrilheiros, para o que se formaram duas secções, uma de cada pelotão, que, ocultadas pela mata,  contornariam a clareira para aparecerem,  de surpresa, por detrás dos guerrilheiros e os apanharem à mão ou, caso estes tentassem fugir, fossem encaminhados para a boca do lobo ou seja que se introduzissem na mata onde se encontrava emboscada a restante tropa.

Na execução desta estratégia,  iniciou-se o previsto envolvimento contornando a orla da mata, após o que aparecemos de surpresa por detrás dos guerrilheiros, abrindo de imediato fogo para intimidação. Estes então correram na direcção do ribeiro e iniciaram a subida para a orla da mata, onde eram aguardados pela nossa tropa.
   
Após o enorme fogaçal que se seguiu, donde teriam necessariamente resultado algumas baixas ao IN, iniciámos então,  e a corpo aberto, a travessia da clareira em direcção às nossas tropas, cientes de que teria havido alguns capturados e mortos, embora se estranhasse aquele fogo nutrido, nomeadamente por o mesmo pôr em risco a vida dos camaradas que se encontravam no meio das lavras.

Qual não foi o nosso espanto ao sabermos que a tropa emboscada não dera um único tiro, pois todo aquele tiroteio provinha afinal de um numeroso grupo de guerrilheiros, o qual se havia também emboscado, mesmo ao lado da nossa tropa, com a intenção de capturar ou matar os militares agressores.

Em face deste inusitado desfecho bélico, de que felizmente não resultaram quaisquer baixas ou feridos, ficou-se sem saber se tal fora mera obra do acaso ou da sorte, ou se a presença da nossa tropa só foi denunciada após o inicio do tiroteio,  dando assim origem a que o IN se retirasse apressadamente.

O certo é que a presença da nossa tropa fora detectada na zona, assim se gorando o efeito surpresa, inviabilizando um maior sucesso operacional.

Lourenço, ex-furriel da 3340

AINDA AS SETE CURVAS...

Com referência ao texto da autoria do amigo ANICETO PIRES, vou tentar complementá-lo.

Efectivamente no dia anterior, ao cair da tarde e quando já se anunciava a noite, logo após a ceia, tomada na messe dos sargentos, viemos, um grupo de amigos, para a respectiva esplanada:  um dos furriéis que com o seu pelotão, oriundo do Caxito, reforçava a CAÇ.3340, eu  próprio e mais dois furriéis.
Enquanto o furriel do Caxito, de quem não recordo o nome, pegava na sua viola e dedilhava algumas canções, nós outros bebericávamos uns whiskies e íamos deixando passar o tempo, absortos nas melodias que íamos ouvindo.
O dito furriel do Caxito, quando se fartou da viola e da nossa pouca atenção, entrou nas nossas conversas que, resumidamente, versavam sobre os 24 meses que estavam prestes a findar, ao invés dos seus poucos meses ainda de mato. Nós éramos uns sortudos, porque no dia seguinte completávamos a nossa comissão em Quicabo, enquanto ele e o seu pelotão ainda lá continuariam a batê-las.
Já noite bem entrada, despedimo-nos com um sorriso de gozo nos lábios, lembrando ao ainda maçarico que também chegaria o dia, para ele, do final da sua comissão. Mal sabíamos nós que aquela noite também seria, para ele, a sua última noite.
Chegado novo dia, cada pelotão regressou às suas tarefas diárias, sendo que ao pelotão do Caxito, chefiado pelo comparsa do dia anterior, foi incumbido de ir escoltar uma coluna da JAEA.
Tratando-se do último dia dos "velhinhos", o Feijão, pediu para ir integrar o pelotão do Caxito, substituindo o respectivo "transmissões", pois não queria regressar ao "puto" sem pegar numa arma e não ter saído do "arame". E lá foi ele, todo garboso, integrado num pelotão de combate.
 No regresso a Quicabo, na zona das SETE CURVAS, o nosso amigo Feijão e toda a tropa sofreu uma forte e mortífera emboscada.  Do primeiro unimog morreu logo o respectivo furriel, o amigo da noite anterior, que ficou sentado ao lado do condutor, dois soldados de negros,  não aparecendo o condutor, que era o Damas, não se sabendo do seu paradeiro. Os restantes mortos aconteceram no segundo unimog, que vinha a meio da coluna, não chegando a entrar na zona de morte o terceiro unimog. A força do combate teve o seu epicentro na zona onde seguia o unimog do transmissões Feijão, onde este e o seu colega enfermeiro travaram duro duelo com os atacantes, até chegarem reforços que os pôs em fuga.   É de notar que o dito pelotão, sendo formado por tropas oriundas de Angola (negros), à excepção do seu comandante (furriel), dos condutores, do enfermeiro e do transmissões, pouca ou nenhuma resistência terão oferecido.
De imediato foi pedida a intervenção da força aérea que disponibilizou 4 helicópteros,  sendo um héli-canhão.  Foi nestes helicópteros que duas secções de combate,  chefiadas pelos furriéis Rico e Lourenço,  do 1º e 3º pelotão da 3340, iniciaram então uma perigosa caça ao homem, nomeadamente procurando interceptar o grupo inimigo e, eventualmente, resgatar o condutor DAMAS.
Do ar, apenas vislumbrámos, durante dois dias, algumas fogueiras no meio da floresta, tabancas e lavras, mas do inimigo nem vivalma. Ficámos pois sem saber o que teria acontecido ao DAMAS, se era vivo ou morto. Só mais tarde, já depois do 25 de Abril, soubemos que havia sido capturado (o único), que ouviu perfeitamente os helicópteros que andavam à sua procura e que, em cerca de três dias, terá chegado ao Congo, em marcha forçada, tendo sido posteriormente libertado na troca de prisioneiros.
Assim terminou a nossa comissão, em Quicabo, de uma forma algo inesperada, deixando-nos a todos com uma profunda tristeza em vez da habitual incontida alegria, velando os mortos na capela de Quicabo e deixando ainda mais receosos, do seu futuro, aqueles que nos vieram render.

Lourenço/furriel da C.Caç. 3340

SETE CURVAS - 14MAR1973

O texto que se segue é da autoria do Companheiro Aniceto Pires, condutor auto-rodas, e recorda um dos dias mais negativos da nossa campanha em Angola, que o diga o Companheiro Lobo da Silva que ainda hoje traz dentro de si o estigma deste dia.

Garcia Ferreira
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Hoje vou esperar que chegue a meia-noite e esperar por mais um dia que me traga a memória…

Vou esperar, olhando as horas tranquilamente, que acabe de percorrer mais um ciclo do tempo solar.

Antes de entrar…
Mergulhei-me através da memória que o tempo faz questão de me fazer debruçar no parapeito da saudade, e dele acenda, para iluminar os que para trás ficaram, trazendo-os de volta para nos reunir, só possível na nossa imaginação.
Ainda é dia treze, silenciosamente vai chegar o dia catorze, uma data que ainda perpetua na minha memória.
Estávamos em pleno mês de Março, já lá vão uns tantos anos, o dia treze também tido como dia da “sorte” ou mesmo dia do “azar” não quis nada connosco.
Os dias são todos recheados, de sorte e de azar, de surpresas ou imprevistos bons e maus, quando alguém está protegido pela sorte, outros certamente estarão protegidos pelo azar, ou desprotegidos pela sorte.

Entrei…
Catorze de Março de 1973, era o meu último dia operacional em teatro com cenário de guerra. Para quem o duvidava, aconteceu. A maior parte de nós iria fazer ainda os vinte e três anos de idade. Ainda éramos crianças.
Ao inicio da manhã daquele dia, juntamente com um grupo de combate, partimos de Quicabo para mais uma missão igual a tantas outras. É certo, sabíamos que saímos sem nunca ter a garantia da chegada, uma espécie de passaporte em branco.
A missão foi mais uma escolta de equipamentos e pessoas, para mais um dia trabalho, pertencente à JAEA (junta autónoma de estradas de Angola) até Balacende, percurso que nos levava a passar pelas famosas sete curvas.
Ao fazermos a inversão de marcha para regressar a Quicabo, recebemos ordem para fazermos uma escolta (não estava nos planos) à Beira Baixa, uma fazenda que ficava entre Balacende e Nambuangongo.
Lembro de termos contestado esta alteração de rumo, pois queríamos regressar o mais rápido possível, já estávamos cansados dos camuflados e de tanto sacrifício. Quando chegamos ao acampamento improvisado da JAEA, na Beira Baixa, logo tivemos a informação através do “transmissões”, que havia acontecido uma emboscada e já tínhamos baixas.
Precisamente nas sete curvas.
Estávamos a meio da manhã quando voltamos a Balacende e aqui podemos já sentir a mistura da revolta e consternação, para alguns (incluindo eu), era a nossa última missão.
Maldita as sete curvas, onde tanta gente jovem ali ficou.
Lá saímos de Balacende, meios silenciados, para voltar a passar na fatídica sete curvas, onde foram abatidos quatro elementos nossos e o Damas capturado, e logo no último dia de missão em cenário de guerra.
Ainda lembro os companheiros que estavam no Destacamento de Quicabo, viviam momentos de angústia, por não saberem quem teria “ficado”, apenas tinha havido conhecimento que havia baixas, mas não sabiam quem eram.
Quando cheguei… ouvi, “ o Pires não foi”.
Fazia-me lembrar quando se fazia a chamada e quem não respondesse já estaria morto.
Foi chocante ver aquelas viaturas com rombos provocados pelos rocketes e mais ainda ao dar pela falta do nosso COMPANHEIRO DAMAS.
Poderia ter sido eu!
O dia treze não tem nada a ver com o dia catorze, assim como os que são protegidos pela sorte inevitavelmente um dia serão protegidos pelo azar, se é que existe um e o outro.
Forçosamente terão que existir ambos, por serem da mesma família.
Eu, o Aniceto du Pires

A 14 de Março de 2010

DESAFIO...

Caros Camaradas...
Quero lançar um desafio a todos vós, abaixo deste texto vou postar algumas fotos que a todos recordam alguma coisa, o que pretendo é que cada um escreva um pequeno texto relacionado com alguma das fotos (certamente que todos ou quase todos nós guardamos algumas histórias destas paragens), façam um esforço e deixem a vossa memória recordar o que viveu.

QUICABO - TORREÃO (Foto de Vasco D'Órey -  Tempo antes de grande trovoada)

MARIA FERNANDA (Foto de Vasco D'Órey - Pé de café)

ALGURES ENTRE MARIA FERNANDA E BALACENDE
(Foto Vasco D'Órey - Lama na picada)

ALGURES ENTRE MARIA FERNANDA E BALACENDE
(Foto Vasco D'Órey - MVL)

BALACENDE (Foto Vasco D'Órey - Ecran de cinema)) 

FAZENDA DO MARGARIDO (Foto Vasco D'Órey)

FAZENDA TENTATIVA (Foto Vasco D'Órey - Cana de açúcar)

Espero que este meu desafio seja aceite por todos os Camaradas da CCS, CCAÇ.3340, CCAÇ.3341 e CCAÇ.3342, por isso fico a aguardar, com alguma ansiedade, as vossas missivas que poderão ser enviadas para magarciaferreira@clix.pt .
Quero apenas frisar que as fotos são apenas exemplos de momentos vividos por vós naqueles lugares ou situações.

Um abraço
Garcia Ferreira

EXEMPLO...

Companheiros,
As imagens publicadas depois deste texto, são o exemplo daquilo que pode e deve ser a vossa colaboração neste (vosso) blogue.
Foram enviadas pelo nosso amigo Correia a quem desde já agradeço com um abraço de muita saudade e referem-se aos momentos áureos da Rádio Quicabo..
Para além da imagem das instalações, podemos ainda ver o ex-Furriel Correia, o ex-Furriel Machado e ainda o ex-Furriel Paim Vieira, têm como pormenor curioso, para além de outros como as capas de alguns discos, o inseparável copo que foi grande companheiro do Paim.